Arquivado em: Adoro adorar, Coisas que eu disse, Música, Poesia | Tags: Leonard Cohen, Lisboa, Passeio Marítimo de Algés
anthem | leonard cohen| 19.07.2008| passeio marítimo de algés
quando entrei no pouco-acolhedor-passeio-marítimo-de-algés e vi uma poltrona de veludo vermelho no palco pensei: é aqui que ele vai ficar. satisfeita com o meu inteligente raciocínio, tracei uma linha-recta-imaginária com a poltrona e marquei o meu lugar. não queria perder NADA. afinal tratava-se de um dos encontros mais desejados da minha vida, daqueles que já só acreditava serem concretizáveis na fantasia. à hora marcada (21h00), elegantemente pontual, o senhor cohen entra em palco, mas não se foi sentar (!!!). a abertura veio em forma de pedido: “dance me to the end of love” e nós dançamos… eu dancei e dancei e dancei. um cohen pouco tímido, muito sedutor, genuinamente humilde, generoso – para com o público e músicos/ back vocals que o acompanhavam – e enérgico, muito enérgico. como quem folheia um livro, ou como quem entra num road-movie, assim ele nos guiou em 3 horas de magia-pura, com 20 minutos de intervalo para virar do lado A para o lado B, como um vinyl old school, numa espécie de eucaristia laica. foram 3 horas de arrebatamento. cohen-profeta-sedutor: uma voz magnífica, suja, profunda, intensa, distintamente vestido de fato escuro e chapéu, usado tantas vezes para agradecer: “oh you’re so kind”, dizia ele. uma figura magra, um perfil recortado. e intenso. muito intenso. quem esperava um testamento, ou um cohen depressivo, foi ao engano:”if it be your will/ that I speak no more/ and my voice be still/ as it was before”. foi um momento histórico. nunca uma despedida. as almas grandes, deste tamanho nunca se despedem. permanecem iluminadas, a iluminar porque “there’s a crack in everything; that’s how the light gets in.” e a luz entrou.
ainda houve tempo para nos revelar um segredo e para uma canção de embalar pelas maravilhosas webb sisters, como quem prepara um sono bom.
da plateia choveram flores, aplausos, sorrisos e lágrimas de felicidade. eu já não tinha forças. as pernas fraquejavam e as palmas das mãos estavam doridas. mas a alma a transbordar de felicidade. mesmo ao ar-livre, numa espaço desagradável, mesmo assim a única palavra que encontro para descrever é: PERFEIÇÃO.
no fim, todos – incluíndo backstage - no palco a cantar “whither thou goest”, e dois corações invertidos entrelaçados projectados na tela do cenário minimal, porque, afinal, “love’s the only engine of survival”.
Alinhamento:
Dance Me to The End of Love
The Future
Ain’t No Cure for Love
Bird On the Wire
Everybody Knows
In My Secret Life
Who By Fire
That’s No Way To Say Goodbye
Anthem
Tower of Song
Suzanne
The Gypsy’s Wife
Boogie Street
Hallelujah
Democracy
I’m Your Man
Take This Waltz
So Long, Marianne
First We Take Manhattan
Sister of Mercy
If It Be Your Will
Closing Time
I Tried to Leave You
Whither Thou Goest